Alimentação x Câncer de Mama

A nutrição e alimentação inadequadas são classificadas como a segunda causa de câncer que pode ser prevenida. São também responsáveis por até 20% dos casos de câncer nos países em desenvolvimento, como o Brasil, e, por aproximadamente 35% das mortes pela doença.

O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, respondendo por cerca de 30% dos casos novos a cada ano.

Relacionado ao câncer, existem os riscos não modificáveis, que são aqueles relacionados à idade, genética, história familiar, raça etc. E aqueles modificáveis, que são os relacionados ao estilo de vida e decisões individuais de prevenção, como ser mãe antes dos 30 anos, amamentar, evitar o uso de álcool, praticar atividade física e manter uma alimentação saudável.

Deste modo, a origem e progressão do câncer de mama parecem estar extremamente relacionadas a hábitos alimentares, consumo de gorduras, carnes, produtos lácteos, frutas, vegetais, fibras, fitoestrógenos, e outros componentes dietéticos. Dados epidemiológicos e experimentais, destacam que certos componentes podem ter um potencial quimiopreventivo no câncer de mama, em especial alguns alimentos funcionais.

  • Mas que alimentos seriam esses?

Bom, o conceito de alimentos funcionais é bastante amplo, e defende que, se presentes na dieta, podem controlar e modular funções no organismo, contribuindo para a manutenção da saúde e reduzindo o risco de doenças. Para ser considerado um alimento com efeito funcional, este precisa abranger, além das propriedades nutricionais características, ações promotoras para o bom funcionamento do organismo.

⇒ É válido destacar que os alimentos funcionais não são destinados ao tratamento ou cura de doenças, mas sim para a quimioprevenção, ou seja, bloqueio ou prevenção do surgimento do câncer.

Dos alimentos funcionais mais pesquisados com relação à sua eficácia em casos de câncer de mama, estão os ácidos graxos ômega 3, as fibras, os fitoquímicos, as vitaminas e os minerais. (PADILHA; PINHEIRO, 2004).

Os ácidos graxos ômega 3, apresentam um papel inibidor e retardatário da proliferação celular em linhagens de células cancerígenas do tecido mamário. São encontrados nos frutos do mar ricos em gordura (salmão, atum), em óleos vegetais e sementes oleaginosas, como amêndoas, nozes e castanhas (CARMO; CORREA, 2009).

Já a ingestão de fibras alimentares está associada à redução de incidência de várias doenças, em especial o câncer de mama. Muitos possíveis mecanismos de ação têm sido sugeridos, o mais provável é devido ao envolvimento com a redução de estrogênios bioativos no sangue. Dietas ricas em fibras estão associadas com a alteração da flora colônica, atuando na regulação da circulação enterohepática (circulação dos ácidos biliares, bilirrubina, drogas ou outras substâncias a partir do fígado para a bile), de tal forma que a quantidade de estrogênio excretado é aumentada. São encontradas em frutas, aveia, vegetais e grãos integrais (SILVA; SÁ, 2012).

Entre os fitoquímicos mais estudados em relação ao câncer, são os lignanos, presentes na linhaça e grãos integrais que atuam como fitoesteróis, um agente anticancerígeno que bloqueia a atividade do estrogênio nas células, reduzindo o risco de desenvolvimento de câncer de mama. A capsaicina, encontrada nas pimentas e agem como moduladoras da coagulação sanguínea, reduzindo o risco de coágulos. O resveratrol, presentes nas uvas, vinhos, amendoins e atua como protetor contra o câncer, inibindo o crescimento celular e impedindo a formação de coágulos e inflamações. Os carotenóides, obtidos através das cenouras, tomates, damascos, agindo como antioxidante, prevenindo neoplasias e protegendo o DNA contra estresse oxidativo (BAENA, 2015).

É importante ressaltar as vitaminas antioxidantes, ou seja, as vitaminas A, C e E, assim como o folato e o selênio entre os micronutrientes mais investigados por sua atuação quimiopreventiva no câncer de mama. Uma das ações dessas vitaminas e minerais é a defesa contra as espécies reativas de oxigênio, que são responsáveis por danos ao DNA, regulação da diferenciação celular e, consequentemente, inibição do crescimento de células mamárias cancerígenas.

É extremamente necessário que tenhamos consciência da relação existente entre o que colocamos no prato e o que esses alimentos podem causar no nosso organismo, seja de forma positiva ou de forma negativa. Baseado em vários estudos acerca do assunto, comprovou-se que seguir uma alimentação balanceada, contendo esses alimentos com propriedades anticancerígenas, é essencial na prevenção do câncer de mama. São pequenas mudanças diárias, que podem trazer enormes benefícios.

Seguem algumas dicas para se manter uma alimentação adequada e preventiva contra o câncer de mama:

  1. Dê preferência aos alimentos naturais e frescos, com ênfase para um maior consumo de frutas, hortaliças, cereais integrais e leguminosas, de preferência as citadas anteriormente no texto;
  2. Evite a ingestão de produtos industrializados ricos em produtos químicos (conservantes, corantes, aromatizantes, etc), enlatados, em conserva, alimentos conservados em sal, temperos prontos, etc;
  3. Evite as frituras, alimentos ricos em gordura saturada, embutidos e defumados (carnes gordas, bacon, linguiça, salsicha, frios, manteiga, salgadinhos, fast food, etc);
  4. Dê preferência aos produtos integrais no lugar dos refinados. Eles contêm maior teor de fibras, vitaminas e sais minerais que se perdem no processo de refinamento;
  5. Dê preferência aos peixes e aves, e quando consumir carne vermelha, opte pelos cortes que têm menos gorduras;
  6. Use temperos naturais (cebola, alho, salsinha, cebolinha, etc.) para temperar as saladas, azeite de oliva extra virgem, ervas aromáticas (orégano, manjericão, alecrim, hortelã, etc.). Evite os molhos prontos;
  7. Evite refrigerantes e bebidas alcoólicas (o álcool aumenta a produção de estrogênio, portanto seu consumo está relacionado ao aumento do risco de desenvolver o câncer de mama);
  8. Varie sempre os alimentos para que sua alimentação não fique monótona e capriche nas cores, quanto mais colorida for sua alimentação, mais vitaminas e minerais estarão presentes!
  9. Mantenha o peso adequado para a sua idade. O excesso de gordura corporal estimula a produção de certos hormônios e processos inflamatórios no organismo;
  10. Lembre-se: mantendo uma alimentação saudável, consequentemente terá um peso saudável!
  11. Pratique atividade física regularmente.

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REFERÊNCIAS

BAENA R. C., Muito além dos nutrientes: o papel dos fitoquímicos nos alimentos integrais. Diagn Tratamento 2015;20:17-21.

CARMO, M. C. N. S.; CORREA I. T. D. A Importância dos Ácidos Graxos Ômega-3 no Câncer. Revista Brasileira de Cancerologia 2009; 55: 279-287.

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. Rio de Janeiro, 1996-2018. Disponível em: http://www.inca.gov.br/. Acesso em: 25 out. 2018. 

PADILHA, P. C.; PINHEIRO, R. L. O papel dos Alimentos Funcionais na prevenção e controle do câncer de mama. Revista Brasileira de Cancerologia 2004; 50: 251- 260.

SILVA, I. M. C.; SÁ, E. Q. C. Alimentos funcionais: um enfoque gerontológico. Rev Bras Clin Med. São Paulo, 2012 jan-fev;10:24-8.

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