Consumo exagerado de alimentos industrializados por adolescentes

A adolescência é caracterizada pelo período da vida que vai dos 10 aos 19 anos, 11 meses e 29 dias, segundo critérios cronológicos propostos pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Uma boa nutrição é importante na adolescência uma vez que neste período o crescimento é acelerado. O adolescente adquire aproximadamente, 15% de sua estatura definitiva, 45% da sua massa esquelética máxima e 50% do seu peso adulto ideal (SPEAR, 1996, apud. ALBUQUERQUE; MONTEIRO, 2002).  Além disso, a composição corporal se diferencia entre os dois sexos: os meninos apresentam aumento de massa corporal magra enquanto as meninas ganham proporcionalmente mais gordura. Devido a isto ocorre a discrepância da força muscular entre homens e mulheres.

É nessa fase da vida que acontecem diversas mudanças no indivíduo. As mudanças físicas são as mais visíveis, onde os adolescentes apresentam aumento de estatura e de peso significativos, mudando assim a distribuição de gordura e também surgem as características sexuais secundárias. Há também alteração no esqueleto, nos tecidos musculares e na maior parte dos órgãos e aparelhos do corpo, com exceção do cérebro e da circunferência do crânio. Devido a esse rápido crescimento, é nessa fase que aumentam as demandas de energia, proteínas, vitaminas e minerais.

O crescimento de adolescentes é diretamente relacionado à sua ingestão dietética e, nas últimas décadas ocorreram várias mudanças na dieta. Esses novos padrões e hábitos alimentares podem aparecer durante este período, gerados por diversos motivos, entre eles, motivos psicológicos, sociais e socioeconômicos, pois nesse período é onde ocorre maior busca de autonomia e identidade, aumento do poder de compra, hábito de preparar seu próprio alimento e o hábito de comer fora de casa.

Do ponto de vista nutricional, os adolescentes são vulneráveis, pois tendem a omitir refeições, sendo a principal delas o café da manhã, e consumir maior quantidade de alimentos entre as refeições durante o dia.

As novas alternativas alimentares vêm crescendo na sociedade pós-moderna e grandes vantagens nutricionais são atribuídas a elas, pois além de facilitar o transporte, o armazenamento e o preparo de refeições para crianças e adolescentes é possível também que esses alimentos sejam enriquecidos com diversos nutrientes – como exemplo, os pré e probióticos possibilitando a formulação de alimentos mais prazerosos, práticos e ainda oferecem algum benefício à saúde. No entanto, a industrialização dos alimentos, traz consigo algumas influências negativas sobre o consumo alimentar de crianças e adolescentes.

No Brasil é uma prática muito comum os jovens consumirem lanches e fast food, que concentram grande quantidade de energia. Esta alimentação inadequada estimula o consumo de alimentos com excessiva quantidade de açúcares, sódio, gordura, sendo deficientes em fibras e micronutrientes. Este quadro relaciona-se com a manifestação de doenças crônicas entre adolescentes, como obesidade e diabetes cada vez mais precoces, gerando grande impacto na saúde pública.

Em contrapartida, o sexo feminino, muitas vezes, como resposta a sua insatisfação com a imagem corporal, faz dietas de restrição energética o que pode expor-se a riscos de saúde tanto na adolescência quanto na idade adulta.

O comportamento alimentar do adolescente também pode ser influenciado pelo convívio social a partir de opiniões e ações de seus colegas. A exemplo, o adolescente prefere beber refrigerante a beber um copo de suco natural que, muitas vezes, é visto como um alimento para crianças ou até mesmo deixar de se alimentar para manter-se em convívio com os colegas. Além disso, gostam de ter liberdade de escolha do que fazer e o que comer. Praticam atividades extra-escolares e sociais o que leva à adesão de hábitos alimentares irregulares devido ao pouco tempo destinado à alimentação. Podem omitir refeições ou comer fora de casa.

Quando as refeições são feitas com a família, estimula-se o hábito de uma alimentação mais equilibrada com frutas, grãos, hortaliças e alimentos ricos em ferro, a diminuição do consumo de refrigerantes e do consumo de álcool, cigarro e outras drogas. Para que isto ocorra, os pais devem participar ativamente das escolhas de seus filhos desde a primeira infância não só no preparo da comida como também tornando o momento prazeroso com as refeições feitas à mesa. Além disso, devem estar atentos à influência dos meios de comunicação no estilo de vida e no comportamento alimentar dos adolescentes. Estudos mostraram que o tempo que um adolescente passa em frente da TV pode resultar em até 2% na prevalência da obesidade (DIETZ; GORTMAKER, apud. ALMEIDA; NASCIMENTO; QUAIOTI, 2002).

Os meios de comunicação, por um lado estimulam o consumo de alimentos dietéticos e práticas alimentares para o emagrecimento, e por outro, a escolha por alimentos tipo fast food. Os letreiros, luminosos, logotipos, outdoors, bancas de revistas, slogans, marcas, panfletos, gingles, imagens, sedução, são formas de veicular esta informação.

É comum observar em adolescentes que a ingestão energética é superior às suas necessidades, no entanto, este consumo tem grande contribuição de produtos industrializados, o que faz a ingestão de micronutrientes (vitaminas e minerais), inadequada.

O fato de o adolescente apresentar estatura e peso adequados para a idade não significa que encontra-se saudável, pois não basta referirmo-nos ao quantitativo de energia ingerida, mas também a composição de micronutrientes do alimento.

Mas o que leva o adolescente a um consumo nutricional discrepante de uma alimentação saudável? A resposta a esta questão, está ligada a vários fatores: escolaridade, classe social e provavelmente a influência da mídia sejam os mais relevantes. Vale ressaltar o papel da mídia que, sem nos pedir licença, invade os nossos lares, as revistas, e os jornais. Estão nos out doors, no bus door, em todos os lugares. Os alimentos são fotografados de forma belíssima, são apresentados de forma prática e buscam quebrar todas as barreiras para seu consumo e nos seduzir. Nenhuma palavra sobre corantes, conservantes, danos à saúde e tudo que lhe atrapalhe a venda. É difícil resistir, ainda mais quando se é adolescente. Hoje para o adolescente um hambúrguer multinacional é milhões de vezes melhor, mais gostoso, mais desejado que qualquer comida caseira que sua mãe possa preparar.

É importante uma contínua avaliação do consumo alimentar dos adolescentes. Este grupo de indivíduos por suas características próprias (suscetibilidades às propagandas da mídia, influência de amigos, desatenção para hábitos alimentares saudáveis, etc.) deve ser objeto de estudos longitudinais a fim de que sejam estabelecidos e desenvolvidos programas na área de saúde, de prevenção de carências nutricionais e de intervenção para corrigi-las.

 


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