Malefícios da gordura hidrogenada

A pedido do leitor Beto Dalleprane, o texto de hoje fará referência aos malefícios da gordura hidrogenada. Tema bastante pertinente, uma vez que seu consumo impacta na saúde, tanto no desenvolvimento de doenças crônicas quanto no estado nutricional e sua participação na dieta contemporânea tem marcado o padrão alimentar da população através dos alimentos industrializados.

O processo de hidrogenação de óleos, que consiste na adição de hidrogênio na molécula, foi desenvolvido com a função de modificar óleos vegetais líquidos em gordura de consistência mais firme, o que leva à formação dos ácidos graxos trans. Assim sendo, a gordura hidrogenada é considerada a maior fonte desses ácidos graxos.

O conteúdo de ácidos graxos trans de cada produto pode variar de acordo com o grau de hidrogenação da matéria-prima gordurosa utilizada em sua fabricação. Sua finalidade é dar estabilidade no sabor e textura e aumentar o prazo de validade dos alimentos como margarinas, massas e recheios de biscoitos, sorvetes cremosos, formulações para sopas e cremes, produtos de panificação e frituras. Além disso, estão presentes naturalmente, em pequenas quantidades, em alimentos oriundos de animais ruminantes.

A gordura trans atua no organismo elevando triglicerídios, LDL (colesterol ruim) e diminuindo o HDL (colesterol bom), o que aumenta os riscos de doenças cardiovasculares e várias outras disfunções metabólicas, como a inibição do metabolismo de ácidos graxos essenciais, que pode também afetar o crescimento intra-uterino. A aterosclerose também tem como uma das causas, a presença desta gordura na ingestão alimentar.

Os ácidos graxos essenciais são o ômega-3 (ácido linolênico) e o ômega-6 (ácido linoleico). Eles estão presentes em alguns alimentos, como: peixes de água fria, linhaça, nozes, óleos vegetais e alguns vegetais. Estão associados à prevenção de doenças cardíacas, pois reduzem os níveis de triglicerídeos e colesterol, além de auxiliar no desenvolvimento da função visual e cerebral.

Em 2003, a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou a Estratégia para Dieta e Nutrição na Prevenção de Doenças Crônicas, preconizando o consumo diário de menos de 1% de gordura trans, o que corresponde aproximadamente a 2g/dia em uma ingestão de 2000kcal/dia.

Já em 2004, no lançamento da Estratégia Global para Promoção de Alimentação Saudável, a OMS definiu como meta a eliminação do consumo de gordura trans industrial, e em 2007, após uma atualização científica sobre gordura trans, recomendou que os países que tinham como limite tolerável o consumo diário de 1%, fizessem uma revisão sobre esta recomendação, que encontrava-se em vigor em muitos países, entre eles o Brasil. Assim fez a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), que apresentou em 2007 recomendações para a eliminação da gordura trans produzida industrialmente.

No Brasil, o consumo de gordura trans restrito a 1% do valor energético diário, foi lançado no Guia Alimentar para a População Brasileira em 2005, mesmo a OMS tendo em 2004 recomendado a eliminação do consumo.

No ano de 2014, um novo Guia Alimentar para a População Brasileira foi lançado, citando que o consumo de alimentos processados devem ser evitados.

O Comitê de Administração de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos (Food and Drug Administration – FDA), elaborou um documento mantendo a recomendação de 1% de gorduras trans, justificando que sua eliminação total acarretaria em mudanças extraordinárias no consumo alimentar. Por sua vez, o Comitê de Nutrição da Associação Americana de Cardiologia, explicou que este limite foi estabelecido porque, mesmo removendo a gordura trans de todos os alimentos industrializados, não seria possível sua completa eliminação da ingestão alimentar diária, devido sua presença natural nos alimentos oriundos de animais ruminantes. Entretanto, pesquisas tem demonstrado que a gordura trans natural apresenta possíveis benefícios à saúde, enquanto que a industrial não apresenta o mesmo resultado, além de não ser essencial.

Diante de todo exposto, nos resta a reflexão: Deve existir um limite de consumo para gordura trans já que tantos malefícios à saúde são comprovados ou deveria ser proibida sua comercialização?


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